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Chá dos 3

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Angústia


Queris,

Por incrível que pareça escrevi essa história num lindo dia de sol, depois de comprar umas coisas no Boticário. Passei correndo na loja que fica no shooping, durante o meu horário de almoço, e na volta para o trabalho comecei a pensar nessa historinha.

Isso faz uns 2 meses, mas vinha guardando a história porque tinha outros planos para ela, achei meio pesado e deu vontade usá-la como parte de alguma coisa maior.
Como ando sem tempo para criar, vou postá-la hoje. Talvez ela tenha continuação, talvez não.
O que vocês acham?

Bjinhos...

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Angústia

Sinto-me estranha. Estou deitada em algum lugar, está gelado. Não consigo abrir meus olhos, eles estão pesados. Estou sozinha em algum lugar. Não consigo lembrar onde estou. Meu coração bate rápido, não escuto nada, apenas um zumbido. Minha boca está amarga. Será que desmaiei?

Onde estou? Por que não consigo lembrar? Será que morri? A quanto tempo estou aqui? Meses, minutos, segundos?

Alguma coisa aconteceu... Não consigo lembrar. Alguém foi embora... Alguém...

Aos poucos vou lembrando. Estou no chão do meu quarto e estou sozinha. Meu noivo me deixou. Fui abandonada a meses do casamento. Minha vida acabou.

Estou pesada. Não posso levantar. Sinto o peso da minha tristeza, dos momentos que não vivi, das humilhações que passei, dos filhos que não tive, do amor que não vivi.

Por que fui abandonada? Por que ele me deixou? Anos de promessas se esvaindo entre meus dedos. Anos engolindo sapos, engolindo meu orgulho, engolindo sobras por algo que pensei ser o amor.

Fui rejeitada. Que humilhação. Sou uma mulher separada.

Não tenho mais tempo para reconstruir meus cacos. O que vão falar de mim? Que não segurei meu homem? Que não sou bonita o suficiente? Que sou tão pequena quando me sinto agora?

Alguém entrou no meu apartamento. Será que ele voltou? Arrependeu-se? Meu coração bate rápido outra vez.

Nada. É apenas minha irmã. Ela fala comigo mas não a ouço. Vejo apenas um amontoado de gestos. Ela está preocupada, grita comigo, me sacode. Não sinto nada. Agora sou apenas minha dor e o vazio.

Ela me apóia e então levanto silenciosamente. Estou em choque. Sento na cadeira em frente ao espelho e tiro minha aliança de compromisso. Meu ultimo gesto de dignidade. Meu ultimo vínculo com quem fui.

Olho meu reflexo e caio num choro incontrolável. Ninguém sabe, mas naquele momento resolvi que não queria mais viver.

4 comentários:

  1. Ai! to vendo semelhanças ai...
    Termina a história!
    bjão

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  2. Ai, ai, continue essa história e dê uma vírgula para essa linda mulher. Pois ela não pode por um ponto final na própria vida.
    Bjs...

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  3. Estou vivendo esse momento... talvez não seja melancólico e sim uma saída encontrada pra tanta dor...

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